terça-feira, 20 de abril de 2010

América Futebol Clube


Nome: América Futebol Clube
Alcunhas: América de Rio Preto, Mecão, Rubro
Mascote: Diabo (Brasinha)
Fundação: 28 de janeiro de 1946
Estádio: Teixeirão
Capacidade: 36.426 pessoas
Presidente: Alcides Zanirato
Treinador: Márcio Ribeiro



O América Futebol Clube, geralmente conhecido simplesmente como América (ou como América de Rio Preto) é um clube brasileiro de futebol, da cidade de São José do Rio Preto, estado de São Paulo. Fundado em 28 de janeiro de 1946, o clube leva esse nome em homenagem ao América-RJ, um dos principais times de futebol à época da fundação do clube. O América de Rio Preto é um dos mais tradicionais do estado de São Paulo e do interior do Brasil. O título mais recente do clube foi a Copa São Paulo de Futebol Júnior, sendo esta a mais importante competição de futebol sub-20 do país, conquistado de forma invicta em 2006.


História


Antonio Tavares Pereira Lima era um engenheiro da Estrada de Ferro Araraquarense (EFA), e disputava partidas como centroavante e possuía o espírito idealizador.


Este homem sonhava em abrir novos horizontes no cenário esportivo da cidade, e em fundar um clube com amplas dimensões, com estádio próprio, sede social, filiado à Federação Paulista de Futebol (FPF) e à antiga Confederação Brasileira de Desportos (CBD) e capaz de inflamar a torcida local. Nesta época, na cidade de São José do Rio Preto, a melhor equipe era o Bancários, time que possuia um ponta-direita chamado Wilson Caniza.


Certo dia, Vitor Buongermino pegou o trem que partiu de Catanduva às 18 horas e encontrou Antonio Tavares Pereira Lima, que vinha de Araraquara para Rio Preto. Ambos acabaram concordando com a necessidade de formar uma equipe para calar a boca de Caniza.


A partir disto, a ideia foi amadurecida nos pontos de encontro da época, tais como: Charutaria do Pilão, Alfaiataria Rosselli, Bar do Jeca, entre outros. Pereira Lima com seu entusiasmo, carisma e popularidade conseguiu multiplicar os contatos e foi ganhando várias adesões dos mais distintos setores da cidade.


Numa segunda-feira, mais exatamente dia 28 de janeiro de 1946, no salão de festas do Hotel São Paulo, reuniram-se 53 esportistas locais além de cronistas de "A Folha de Rio Preto" e "A Notícia". Os trabalhos foram iniciados por volta das 20:30 h com Antonio Tavares Pereira Lima presidindo a reunião.


Ficou decidido que a nova agremiação teria o vermelho e o branco como cores oficiais. Mas a maior dificuldade era escolher o nome da equipe. O novo clube que nascia foi batizado com o nome de América Futebol Clube, em homenagem ao clube carioca de mesmo nome.


O Conselho Deliberativo ficou contituído por 20 membros e sendo eleito como Presidente do mesmo, o Sr. Vitor Buongermino. A seguir, deu-se início às eleições para Presidente e Vice-Presidente da Diretoria. Antonio Tavares Pereira Lima foi eleito Presidente e a Vice-Presidência ficou a cargo do Sr. Mário Alves Mendonça.


Uma vez empossados, iniciaram os trabalhos para filiar o América na Federação Paulista de Futebol (FPF), inscrevendo-o no Campeonato do Interior. Só que o time, por enquanto, tinha apenas um jogador; o próprio presidente o qual jogava de centroavante. E então Mário Alves Mendonça foi para São Paulo cuidar dos registros e atrás de jogadores disponíveis para disputar o campeonato que começaria dentro de 2 meses.


Primeira partida disputada


Em 2 de fevereiro de 1946 a agremiação estava inscrita na Federação Paulista de Futebol e no dia 10 o primeiro contratado chegava, o goleiro Bob, que havia jogado no Palestra e no Rio Preto. Chegou também o técnico Zezinho Silva do Guarani de Catanduva, que comandou o primeiro treino da equipe no Palestra Esporte Clube.


Ninguém sabia dizer ao certo como foi possível montar uma equipe em duas semanas e meia, mas no dia 17 de março de 1946 o América estreava contra A. A. Ferroviária de Araraquara.


O primeiro jogo despertou um grande interesse. Antonio Pereira Lima conseguiu trens especiais que saíram lotados de torcedores que queriam ver ao vivo o novo time de São José do Rio Preto. A partida foi apitada por José Nicolletti Sobrinho e aconteceu no Estádio Giocondo Zancaner, em Mirassol, isto porque o Rio Preto não cedeu o seu estádio alegando que o América "roubara" muitos de seus torcedores e uma enchente inundara o campo do Palestra.


A partida terminou com a vitória do América por 3 x 1. Quirino abriu o placar marcando um gol de falta. Fordinho de cabeça fez 2 x 0, Sacarrolha descontou e no 2º tempo, Dema marcou o último gol, dando números finais ao jogo. A equipe jogou com Bob, Hugo e Edgar; De Lúcia, Quirino e Miguelzinho; Morgero, Dema, Pereira Lima (Nelsinho), Fordinho e Birigui.


Repercussão da fundação


Estruturado dentro do profissionalismo, o América representou uma sadia inovação que faltava ao futebol brasileiro. Igualmente acarretou maior rivalidade entre as torcidas dos clubes locais e assim cresceu o público presente aos jogos.


O jornal "A Gazeta Esportiva" noticiou uma reportagem escrita por Paulo de Oliveira, noticiando a fundação do América-SP:


"A fundação do América FC, no princípio deste ano, constituiu um acontecimento inédito na história do futebol regional e citadino. O mesmo fenômeno que se deu na Pauliceia quando do aparecimento do São Paulo FC. Iniciado o campeonato, só se falou em América FC, uma agremiação fundada por rapazes jovens e comerciantes de recursos. Juntando os melhores elementos locais e de fora, o América inaugurou a fase de maior interesse para o futebol rio-pretense e regional (...)". O América não se incomodou em fretar trens especiais para uma torcida ansiosa por conhecer o novo clube de que tanto se falava dirigido pelo Dr. Antonio Pereira Lima, Mário Mendonça, Agapito Trindade e outros. E o campo do Mirassol foi pequeno para conter a enorme massa popular de fora, num jogo que terminou com a vitória do América (...)".
O mesmo repórter descreve no jornal na edição de 4 de maio de 1946, o entusiasmo intitula a coluna com "Fase de grande animação" e descreve:


"O futebol da região de Rio Preto vem passando por uma fase de grande animação. O aspecto geral de nosso futebol é bem oposto que o de pouco tempo atrás. O surgimento um novo clube na cidade - o América FC - provocou modificação favorável. Rio Preto EC e Palestra EC, dois clássicos rivais não ligavam muito para o aperfeiçoamento técnico de seus onze jogadores, seja pelo não contrato de elementos de fora, de suas experiências, seja pelo sistema pouco progressivo no seu futebol. Hoje não, a situação é outra! Três quadros potentes disputam a primácia do futebol citadino. Os frequentadores dos campos rio-pretenses já se habituaram mesmo a comparar esses conjuntos de trio de ferro (...)".


A essa nova parcela de aficcionados, podemos acrescentar, a bem da verdade, outra não referida: membros das colônias estrangeiras. De fato, naquela ocasião, numerosos imigrantes começaram a gostar de futebol e se tomaram apaixonados torcedores. Até árabes, completamente refratários às paixões clubísticas, passaram a frequentar estádios. Esses novos esportistas, naturalmente, em sua maioria, torciam pelo América.


O Correio dos Esportes, jornal editado pelo mesmo professor Paulo de Oliveira e Silva, em 31 de dezembro de 1946, é encontrada uma seção com o seguinte conteúdo: "O América FC a agremiação futebolística que surgiu em princípios de 1946 e que revolucionou o futebol municipal, fazendo com que maior número de indivíduos se interessasse pelo esporte, parece ser mesmo o clube das grandes iniciativas. Quando aquele moço dinâmico que todos conhecem por Dr. Antonio fundou o América e apresentando um quadro diferente arrancando admiração aos rio-pretenses e conseguiu o título de campeão da cidade, muita gente pensou.(...)"


Birigui


Benedito Teixeira, o "Birigüi" é sinônimo de América. Afinal, foram 55 anos dedicados ao clube do coração. O maior orgulho dele foi inaugurar o estádio que leva seu nome e hoje é o maior patrimônio da nação americana. Quando vendia algum jogador, não pensava duas vezes. Injetava quase tudo na construção. Foram 17 anos de obras no terreno cedido pela Prefeitura de Rio Preto. Para ver o sonho concretizado foram investidos US$ 30 milhões. Com o crescimento da cidade e a valorização da área, estima-se que o preço do Teixeirão hoje chegue a R$ 100 milhões. Comparado ao folclórico Vicente Matheus, do Corinthians, ele é, até hoje, um dos dirigentes mais lembrados na história do futebol paulista, principalmente pela simplicidade e eficiência que o caracterizavam. Birigüi conseguiu projetar a cidade no cenário nacional através do Vermelhinho.
Porém, o eterno presidente do Rubro adoeceu em 2000, reflexo do tabagismo. Fumava três maços por dia. Quando começou a ficar debilitado reduziu a cota para 10 cigarros diários. Foram três internações entre maio e janeiro de 2001. O homem mais importante da história do América morreu, aos 82 anos, às 7h45 da manhã do dia 10 de janeiro de 2001, uma quarta-feira, após ficar uma semana internado no Hospital de Base, em razão de problemas pulmonares. Foi sepultado às 9 horas do dia seguinte no Cemitério da Ressurreição ao som das máquinas demolindo o velho Mário Alves Mendonça. O prefeito Edinho Araújo, a Federação Paulista de Futebol (FPF) e o América decretaram luto oficial de três dias. Birigüi deixou uma lacuna que jamais será preenchida.


Títulos


Estaduais


Campeonato Paulista do Interior: 1950
Campeonato Paulista - Série A2: 3 vezes 1957, 1963, 1999
Vice Campeão Paulista da Série A-2: 1998
Torneio Início: 1958
Campeão do Rebolo do Campeonato Paulista: 2003
Copa Aspirantes: 1992


Torneios estaduais


Taça dos Invictos: 2 vezes 1973 e 1999
Torneio José Maria Marin: 1987.


Torneios regionais


Torneio da Fraternidade: 1957


Categorias de base


Copa São Paulo de Juniores: 2006
Vice-Campeonato da Copa São Paulo de Futebol Júnior: 1988
Campeonato Paulista Sub-15: 2000
Taça SBS de Juniores (Japão): 1987

Estádios


Estádio Mário Alves Mendonça: A necessidade de ter um campo próprio levou os torcedores do América a se unirem na busca de um terreno para a construção do estádio. Mário Alves Mendonça ganhou uma área de dona Avelina Diniz e a doou ao clube. O local conseguido foi no alto da cidade, na Vila Santa Cruz.



O campo era de terra batida, sem grama, com capacidade para 3.000 pessoas, cercado de muros, arquibancada de madeira com 6 degraus e alambrado com 2 metros de altura. Foi chamado de Estádio Mário Alves Mendonça.


Sua inauguração ocorreu em 27 de junho de 1948. Pela manhã, o Bispo Diocesano Dom Lafaiete Libanio abençoou a nova praça de esportes. À tarde, realizou-se a partida entre América-SP e América-RJ.


Em 1957, o América foi campeão da 2º Divisão, com direito de subir a Divisão Principal do futebol paulista. Mas para isso precisaria ter um estádio com capacidade de, no mínimo, 15.000 pessoas.


O campeonato já estava para começar e o América não dispunha de dinheiro em caixa. O prefeito da época, Alberto Andaló, mobilizou todos operários da prefeitura, promoveu a campanha do tijolo e do cimento e assumiu o compromisso de entregar o campo em tempo.


Com o trabalho ininterrupto, as cadeiras públicas ficaram prontas em 2 semanas. O América por sua vez, retribuiu o esforço vencendo a Ferroviária por 3 x 1 em uma partida amistosa.


O estádio já foi palco de grandes espetáculos, chegando a receber 22.225 pessoas, numa visita do Santos Futebol Clube, com Pelé, logo após a Copa do Mundo de 1958. Porém, o maior público aconteceu em 1979, na partida contra o Corinthians, onde 23.800 pessoas assistiram o empate em 0 x 0.


O América fez a sua despedida do estádio Mário Alves Mendonça no dia 4 de fevereiro de 1996 com a vitória de 3 x 2 sobre o União São João. Coube ao atacante americano James marcar o último gol do estádio aos 40 minutos do 2º tempo.


O estádio recebeu o apelido de "Caldeirão do Diabo" devido a proximidade que a torcida ficava do gramado e por muitas vezes, os times grandes passarem dificuldade ao enfrentar o América.


Estádio Teixeirão: O novo estádio do América nasceu de uma visita do presidente na época, Benedito Teixeira, ao gabinete do então prefeito municipal, o médico Wilson Romano Calil. Birigui tentava conseguir dinheiro para fazer uma arquibancada no Estádio Mário Alves Mendonça. O prefeito então lhe disse que um time como o América precisava de um novo estádio e não só da arquibancada.



A prefeitura cedeu o terreno. Então, Birigui teve que se virar para iniciar as obras. Vendeu jogadores importantes do elenco e empregou todo o dinheiro das negociações no estádio. "Se eu tivesse a ajuda do poder público, poderia ter terminado antes". No início, a idealização deste sonho era considerada utopia, pois a cidade tinha na época 75.000 habitantes; hoje são cerca de 400.000 rio-pretenses.


Após 17 anos, sem ajuda pública e somente com doações e recursos levantados pelo próprio América, o estádio foi concluído com capacidade para 55.000 torcedores.


No dia 22 de julho de 1999, na decisão do título do Paulista A-2, no jogo contra a Ponte Preta de Campinas o Teixeirão teve seu dia de glória recebendo um público de 33.901 torcedores pagantes americanos, que apoiaram o time que acabou por ser campeão.


Atualmente, o Teixeirão é o maior estádio do Interior Paulista, com a capacidade de 36.426 lugarese é o 2º do Estado de São Paulo e o 6º maior estádio particular do Brasil.


Nas pesquisas realizadas pela Revista Placar (2002 e 2003), o Estádio Benedito Teixeira foi considerado o 6º melhor estádio com infra-estrutura do Brasil. É popularmente conhecida como Toca do Rubro.



Torcida


O América possui a maior torcida da cidade, segundo pesquisa do jornal Diário da Região. Tal fato pode ser comprovado quando jogou com a Ponte Preta no dia 22 de julho de 1999, quase 34 mil americanos lotaram o Teixeirão.


A principal torcida organizada do time é a Raça Rubro e ainda há outras torcidas, como o grupo de amigos da Amor e Lealdade.


Rivalidade


A maior rivalidade do América é com o outro time da cidade, o Rio Preto Esporte Clube. Essa rivalidade teve início no dia 14 de abril de 1946. Nesta data, o Rubro venceu o primeiro confronto por 2 x 0 em pleno campo do Rio Preto. Desde então o América reinou soberano nos derbys riopretenses e massacrou o time rival por diversas oportunidades. A maior goleada ocorreu em 1950 qunado o time alvirrubro derrotou o adversário por 6 a 0 no saudoso Mário Alves Mendonça.


Sabe-se que no começo da história americana diversos jogadores do Rio Preto optaram pelo rubro, o que causou certo mal estar entre os dois clubes. Fundado como América Futebol Clube, sua estréia seria contra a Ferroviária de Araraquara no antigo campo do Palestra. Mas devido às chuvas, o gramado estava alagado e a diretoria do América solicitou à do Rio Preto o empréstimo de seu estádio. O pedido foi negado. De fato, os coronéis e doutores do Rio Preto andavam ressabiados com o novo rival. Eles acusavam os americanos de estimular a dissidência de jogadores do Rio Preto para contratá-los em seguida. E um dos primeiros jogadores a trocar o verde e branco pelo vermelho foi exatamente Benedito Teixeira; o aclamado ex-presidente do América tinha sido ponta-esquerda do Rio Preto. Os diretores do Rio Preto não externaram à época, mas à boca pequena também se sabe da mágoa por não ter sido o Rio Preto o adversário na estréia do América. Oficialmente, o clube não emprestou o Estádio Dr. Vitor Britto Bastos alegando que o jogo danificaria o campo, encharcado depois das chuvas. Começava ali uma das maiores rivalidades do estado de São Paulo.


Até o momento, os clubes se enfrentaram por 62 oportunidades. A equipe americana leva enorme vantagem sobre o rival: 33 vitórias do Mecão, 10 vitórias do Rio Preto e 19 empates. O América marcou 120 gols e sofreu 68, com saldo positivo de 51 gols.

Ranking da CBF


Posição: 83º
Pontuação: 138 pontos